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domingo, 29 de janeiro de 2012

Vencer, Em Um Mundo de Transformações.




Por Maurício A Costa*


“A consciência ao operar suas escolhas gera um poder extraordinário que transcende qualquer aspecto meramente material. É ela que o leva a construir pensamentos, arquitetar idéias, planejar alternativas e definir caminhos. Isso faz de você senhor ou senhora do próprio destino”. (O Mentor Virtual - Pág. 69 - Ed. Komedi -Campinas-SP - 2008).

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Quero provocar com este artigo, uma rápida reflexão sobre um dos temas que mais me preocupam na atualidade: Nosso angustiante despreparo frente às constantes mudanças a que somos submetidos diariamente. Alheios à velocidade das transformações à nossa volta, agimos ingenuamente quando ignoramos a realidade e nos colocamos como vítimas, perigosamente passivos em relação à imperativa necessidade de reciclagem constante de todas as coisas do universo. Lembro-me de uma frase de Richard Bach, um dos meus autores favoritos, onde ele diz: ‘Se você defender suas limitações jamais se livrará delas’. Uma expressão de alerta para o nosso frequente comodismo diante daquilo que nos desafia: A preguiçosa tendência de procurarmos encarar o novo usando ferramentas velhas.

Há muitas empresas gastando rios de dinheiro no treinamento de suas equipes, sem se dar conta de que de nada adiantará preparar ‘tecnicamente’ sua gente, se não houver simultaneamente, um profundo trabalho de reestruturação pessoal no tocante aos aspectos 'humanos', e até mesmo espirituais no 'ser' por trás de cada profissional, do mais simples colaborador ao mais alto executivo. E quando menciono aqui o lado ‘espiritual’ não estou me referindo ao sentido religioso em si, mas sim, à capacidade de interação desse ser humano com a essência do todo que lhe envolve e permeia; porque é nesse ‘todo’ à nossa volta que está contida a sabedoria universal, que evolui a cada fração de segundo. Há uma enorme diferença entre se estar preparado para atividades rotineiras, e conhecer as próprias limitações emocionais. Há um enorme fosso entre preparo técnico e relacionamento humano. Muitos sabem disso, poucos assumem.

Conhecer-se a si mesmo é algo difícil, estressante e delicado. Implica coragem para enfrentar os próprios demônios; os inimigos íntimos que habitam a caverna do nosso inconsciente milenar, atrapalhando sem que percebamos nossos passos, nas mais simples atitudes. Por conta de uma irritação repentina, colocamos a perder projetos inteiros. Uma momentânea falta de paciência ou tolerância pode nos levar a decisões equivocadas para o resto da vida. Uma postura insegura diante de desafios pode ser bastante para jogarmos fora oportunidades há muito aguardadas, e pela qual lutamos durante muito tempo. Uma atitude falsa, uma pequena 'enrolação', ou um gesto egoísta, podem ser suficientes para abalar a credibilidade e romper relacionamentos para sempre.

Muitos não se dão conta que o comportamento humano está se modificando a cada dia, devido ao avanço da tecnologia, que dissemina informação de forma caótica, aleatória, e irresponsável. Crianças, adolescentes e adultos estão sendo expostos a todo tipo de violência. Violência física, violência mental, violência emocional, violência espiritual. 
Em um simples clicar podemos estar diante de fatos, propagandas, notícias, imagens ou músicas que afetam sobremaneira nossas reações, que podem ir da alegria esfuziante à frustração extenuante em poucos segundos. O que para alguns poderá ser visto como algo estimulador para muitos poderá se converter em motivo de indignação, revolta ou depressão. Não há como negar, a informação tornou-se uma ‘commodity’; algo sem rótulo, sem identificação de origem, e sem final previsível, mas carregando sempre um poder de destruição muito maior do que se imagina, para aqueles que não estão prontos para recebê-la. 

Urge preparar, portanto, as pessoas para esse momento que vivemos. Como ensina Paul Stoltz em sua obra ‘Desafios e Oportunidades’: “Quando encaramos uma adversidade, as limitações do nosso sistema operacional tornam-se mais evidentes. É muito mais fácil tornar-se corajoso ao encarar um tornado iminente do que continuar impassível diante das investidas diárias de exigências, dificuldades, desafios, obstáculos e aborrecimentos”. Em outras palavras, mais do que nunca, tornou-se imperativo entender que para transformar dificuldades em oportunidades será preciso um predomínio do espírito sobre a matéria. A consciência da energia que flui através do emocional, sobre a aparência das imagens projetadas pela mente. Sem isso, corremos o risco de sermos poderosos em alguns aspectos como a técnica ou o dinheiro, mas, fragilizados no tocante ao nosso controle emocional. E como diz mais uma vez Stoltz: “Aqueles a quem falta ‘controle’ têm saúde mais fraca, maior tendência à depressão e maior probabilidade de tornarem-se violentos... A capacidade percebida de exercer influência positiva sobre pelo menos uma parte da situação é o que mantém certas pessoas fortes, e também lúcidas, nas circunstâncias mais horríveis”.

Para superar desafios em mundo em constante modificação, não há como fugir da necessidade de reinventar-se a cada dia. Todavia, isso não é algo simples, tampouco para ser feito sozinho. Precisamos todos de uma constante reciclagem. Do aprendizado constante. Da ajuda externa, que vem com a visão de fora, ampliando nossa perspectiva e consequentemente, minimizando nossas limitações. O que impõe uma mente aberta para ir além das fronteiras do convencional, e nos permite avançar com segurança, em direção ao nosso propósito.

Tempos atrás, atuando como consultor para uma empresa de pequeno/médio porte, ao apresentar uma rápida palestra para sua equipe, senti uma enorme frustração, e até desmotivação para continuar o trabalho de assessoria àquela empresa quando percebi o enorme abismo entre as pretensões do seu  empreendedor, um grande guerreiro, embora desorientado, em meio ao caos do empreendedorismo brasileiro, e aquela equipe tão despreparada para suas pretensões. A grande maioria me olhava como se estivesse perdida em um nevoeiro, navegando em barcos distintos, sem qualquer orientação que lhes permitisse ao menos saber para onde estavam indo. 
Por sentirem-se órfãos de informações e preparação, sentiam-se inseguros. Em decorrência da insegurança, sobrevinha um temor reverencial da equipe em relação ao líder, que às vezes aos berros, tentava manter a situação sob uma calma aparente. Estava claro de que não era de informação técnica que aquela empresa necessitava, mas de uma visão ampliada do seu líder no que diz respeito a valores; com posturas que embasassem o belo discurso ufanista, mas sem credibilidade, imprescindível para transferir a confiança necessária a um time que necessita saber para onde está indo e tem exata noção de como chegar lá.

Estou convencido de que, para vencer em mundo em constante transformação, é decisivo investirmos numa atualização ininterrupta, em nós mesmos e nas pessoas que nos cercam, de forma corajosa e determinada; com humildade para entender que nada sabemos. Que precisamos nos reciclar o tempo inteiro como se nada soubéssemos, porque na verdade, não sabemos nada, pois aquilo que julgávamos que sabíamos, já não vale mais. Qualquer informação ou conhecimento pode se tornar obsoleto em fração de segundos. Tudo se renova num piscar de olhos. E isso, pode afetar de maneira imprevisível nossa percepção do  mundo e como consequência, nossas decisões e resultados.

Se você é um pequeno empreendedor, ou um grande empresário, não subestime esta reflexão. Invista na preparação técnica de sua equipe, mas não se esqueça de preparar o ser humano por trás de cada personagem que lhe acompanha. Isso com certeza será decisivo para seu êxito pessoal e profissional, e como consequência, para o sucesso do seu empreendimento, em meio a ambientes turbulentos e de grandes desafios que nos aguardam. Aposte nisso.

"É sempre difícil diagnosticar o futuro, no ambiente turbulento que cerca as coisas materiais. Há uma enorme imprevisibilidade por conta das inúmeras possibilidades que se sucedem, causada pela diversidade de atores e pelas múltiplas alternativas que causam alteração constante do ambiente"...

“O extraordinário consiste em construir algo que atravesse o tempo e o espaço convencionais". (O Mentor Virtual - Ed. Komedi-Campinas-SP - 2008).
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*Mauricio A Costa, é Estrategista. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Executivo, Estrategista ou Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte.

É o idealizador do Projeto Mentor Virtual, organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.

Um comentário:

  1. Mauricio, você escreveu este artigo à mais de quatro anos; e, é com tristeza que compactuo com suas preocupações que ainda hoje povoam seus pensamentos com mais intensidade. Crianças na pré-escola, aprendem as primeiras letras num computador ou tablet, com nove ou dez anos de idade já dominam os computadores/smartfones, como se fossem brinquedos comuns; jovens, adolescentes, sem nenhuma supervisão, navegam na internet, nas redes sociais, postam - "eu odeio meus pais" - "mocinhas exibem seus corpos como um produto" - Estes mesmos jovens, um dia serão parte de uma equipe de trabalho, ou até mesmo serão um empreendedor, um líder. Estarão preparados com certeza para "vencer em um mundo de transformações" técnicas e tecnológicas; mas, não serão capazes de "viver" consigo mesmos.
    Abçs. carinhosos.

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